quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

12/02/09

Que maravilha! Levantei às 9h da manhã! Isso estava ficando bom de mais. Bruno levantou mais cedo e foi arrumar o carro que estava uma zona. Saímos da pousada e fomos em umas lojas onde ele já vendia. Ficamos um tempão por lá, vendendo pra um lojista e depois tivemos que ficar esperando a dona da outra loja chegar. Enquanto isso fomos tomar café e depois eu fui em um morro onde tem umas paradas históricas e uma vista espetacular da cidade. Ali pude ver que Cabo Frio é realmente uma cidade muito bonita. A parte que mais gostei foi onde fica a pousada que dormimos. Tem um calçadão na orla com barracas, todas organizadas, muitas esculturas nas praças em frente, um lago bem legal. Show de bola!


Ficamos por lá todo o dia, entre uma loja e outra e a feirinha. À noite fomos tomar banho na praia debaixo de chuva, uma delícia! Com direito a banho com a água que se acumulava nos toldos das barracas (rs!). De lá saímos para procurar novamente a casa dos amigos de Bruno. Tá pra nascer homem mais insistente! E ele foi de casa em casa onde já tinha ido, onde podia obter alguma dica de onde seus amigos poderiam estar morando, eles tinham mudado de casa. Tudo isso debaixo de chuva, entrando numas estradas de terra, toda esburacada. E não é que o cara achou a tal da casa!
Só tinha um problema: os tais amigos dele não estavam, tinham ido pra São Paulo. Na casa só tem as filhas e o cunhado da Jane, esposa do Geovan (esses são os amigos de Bruno). Mas mesmo assim ficamos aqui. Colocamos um tapete em cima de outro, uma rede e um edredon já gasto e fizemos nossa cama “super macia”! A desculpa do cunhado da Jane foi que eles poderiam chegar durante a noite e não teria colchão pra eles.


Mas o que ele não sabia é que tinha um colchão debaixo da cama que ele dormiu. Mas é isso aí, não tenho do que reclamar ( a não ser do pernilongo que entrou na minha boca quando fui levantar para ir ao banheiro durante a noite). Assisti o Big Brother de novo, mais alguma outra coisa que não me lembro e fui dormir, o dia já tinha sido muito longo.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

11/02/09

Rapaz, Deus é bom de mais! Achei que ia madrugar mas acordei 8h! Bom, bom, bom, bom, não, mas tá bom! (rs!).
Saímos de Guarapari e fomos para Piúma, cobrar um cara que devia a Bruno. Eu vou tentar relatar o quadro, mas só vendo mesmo pra entender. Aquela casa, aquelas pessoas, pareciam personagens de filme ou desenho, sei lá. E não no sentido cômico, mas desgraçado mesmo.
Começa pela localização da casa. Em uma rua sem saída, a não ser que pule no rio que fica logo na esquina. Várias peixarias acentuando ainda mais o clima de litoral. A casa tinha mais dois pavimentos superiores, provavelmente estavam divididos também em mais alguns outros por lá. Em baixo tinha casa nos fundos e a da frente.
O pai, um velho gordo, pançudo, com a pele queimada de sol, as costas arqueadas pelo peso da barriga, o rosto todo enrugado, barba para fazer, na boca só tinha os dois dentes caninos inferiores que apontavam pra fora quando fechava a boca, os olhos pareciam duas bolas de gude porque eram pequenos e redondos. Coloque por cima mais uns meio quilo de catarata. É quase isso. O cabelo branco com a raiz queimada, grande e todo desgrenhado. E aí cicatrizes, unhas, bafo e etc.
Foi com ele que falamos primeiro. Perguntamos onde o Fulano estava (não vou colocar nomes aqui, não é) e ele disse que estava em Vitória. Desenrolou mais uma história e continuou falando. Fomos para o irmão que estava sentado na calçada um pouco mais ao lado, limpando uns ossos para fazer colares. Outra figura. Não bastasse o sotaque que, infelizmente, não dá para reproduzir aqui porque é o melhor, ele também tinha a pele surrada pelo sol, a perna toda ferrada, cheia de marcas e cicatrizes. Não sei o porque, mas ele perdeu parte da panturrilha. Algo parecido com uma mordida, ou um ferro que saiu cortando tudo, não sei. Ele também não sabia onde o irmão estava. Perguntou ao pai no seu sotaque engraçado, e deu idéia do que Bruno deveria fazer.
Enquanto isso, outros personagens da família ia aparecendo. Um menino manco de uma perna, outro que usava óculos fundo de garrafa com cordinha para segurar no pescoço, um outro menino com a coluna parecida com a do avô, um rapaz com cara de quem havia cheirado água-viva (rs!). E assim ia! De repente, um tufo de cabelo vindo do alto passa a dois centímetros de Bruno. Alguns minutos depois uma vassoura quase bate em minha cabeça. Passamos a ficar mais atentos com o que vem de cima, a partir daí!
Uma das netas estava saindo de casa e o irmão de Fulano perguntou à ela onde estava a esposa de Fulano, vamos chamá-la de Fulana. A menina disse que havia ido para a praia, junto com a avó. Depois de muita conversa, de repente quem aparece na janela de cima? A Fulana. Mas não resolveu muita coisa, disse que não se metia nos assuntos do marido e tudo mais.
A Fulana é uma estranha no ninho. Ao que parece, nem todo mundo da família a ver com bons olhos porque colocou toda a culpa em cima dela. A coitada está com reumatismo, anda mais devagar que uma tartaruga. Ela teve um problema no seio direito, foi no médico, marcou a cirurgia, e o cara tirou parte do outro seio que não tinha nada a ver com a história.
Ela desceu, conversou com um e com outro fingindo que não via Bruno, e seguiu para o posto tomar sua injeção diária. Bruno foi atrás dela e conversou por uns cinco minutos. Os dois voltaram para a casa e então a Fulana gritou: “Fulano! Oh, Fulano”. É, o Fulano também estava lá! Quanta mentira pra uma só manhã. A única verdade naquela história toda foi que a avó tinha ido pra praia. Não demorou muito ela chegou com as conchas que catou, cumprimentou a gente e entrou. Bruno conversou com o Fulano, acertou um acordo com ele e fomos embora. Ficamos de passar lá na volta. Que família estranha!

Praça da Igreja em Campos dos Goitacazes

Bom, tudo certo e nada resolvido, seguimos para Campos dos Goitacazes, também uma cidade bonita, mas pelo visto muito violenta e marginalizada. Vendemos uma quantidade legal lá. Até eu fiz uma venda!Saímos de Campos, entramos no estado do Rio de Janeiro com a intenção de chegar logo em Cabo Frio para dormir na casa de uns conhecidos de Bruno. Horas na estrada e nada de cidade, só buracos. Chegamos em Rio das Ostras e, mais uma surpresa: o pneu furou!

Isso já era de noite e estávamos longe do possível lugar onde dormiríamos. Tivemos que colocar novamente o pneu antigo, comemos um sanduíche monstruoso e fomos para Cabo Frio. Bruno, muito insistente, rodou não sei quantas horas procurando a casa dos amigos dele até resolver parar para dormimos em uma pousada. Já era 1h da manhã! Eu não quis saber de mais nada, só tomei banho e agora vou cair na cama. Já é!

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

10/02/09

Esqueci de falar ontem, ainda estamos no horário de verão. Hoje acordei às 07h40. Rodamos um pouco pelo centro atrás de algumas lojas, mas nada também. Ninguém comprou nada. Paramos para tomar café em uma lanchonete com duas garçonetes amarguradas com a vida e com o trabalho e seguimos para a capital, Vitória.
Me surpreendeu porque eu não esperava tudo aquilo. Não é um “nossa que lugar bonito!”, mas é que eu realmente não dava nada por nenhum lugar o Espírito Santo. Mas em Vitória eu vi muitas praias bonitas, ruas legais, pracinhas bem feitas, gente bonita, o porto se tornou uma atração a parte. Enfim, gostei de Vitória.
O primeiro lugar que paramos vendemos legal. Se eu não me engano foi nossa primeira maior venda. O dono da loja é um senhor muito simpático, de fala tranqüila e de olho nos negócios. Ele já importa produto da China, do Peru e quer mais. Aos poucos foi dando uma aula de comércio, de exportação e importação, e só ligado em tudo.
De lá passamos em mais algumas outras lojas que compraram um pouco, em algumas barraquinhas na feira de artesanato, comprei pilhas para pôr na máquina (a partir de agora teremos fotos e vídeos, a-ha!) e de lá seguimos para Vila Velha. Não daria para perceber que saímos de uma cidade e entramos em outra se não fosse por uma ponte. De um lado Vitória e do outro Vila Velha. Tão bonita quanto! Mas achei as praias daqui melhor do que as de Vitória. Tudo bem que a água estava um gelo, mas o banho foi muito bom!

Vista sobre a ponte que liga Vitória à Vila Velha

Quando chegamos em Vila Velha paramos na primeira feirinha que vimos em uma praça, mas não tinha nada de artesanato. Nos indicaram a rua do convento, e lá fomos nós. Imagine dois marmanjos perguntando pelo convento da cidade. Umas duas pessoas a quem perguntamos onde ficava perguntou se estávamos realmente indo para o convento e então tínhamos que explicar toda história de que trabalhávamos com artesanato e que indicaram pra gente umas lojas na rua do convento e blá blá blá. Catar uma freira que não podia ser, né!?
Não tivemos muito sucesso no convento (rs!), e pelo que diziam não tinha outro lugar onde se vendia artesanato na cidade. Inaceitável! Uma cidade do porte de Vila Velha tinha que ter pelo menos um lugar a mais onde vendiam artesanato.
Dito e feito. Achamos um calçadão, próximo a praia onde tomamos banho, cheio de barraquinhas e hippies vendendo sua arte. Vendemos um pouquinho ali, outro pouquinho cá. Troquei umas idéias com os hippies (básico!), fizemos um lanche por ali mesmo e trocamos o pneu direito dianteiro porque estava só na capa! Colocamos o step que estava um pouco melhor.

Seguimos viagem para Guarapari, onde Bruno tem parente e poderíamos dormir sem pagar pernoite! Demorou um pouco pra achar mas chegamos. Depois de um banho, de um cafezinho e de assistir o Big Brother, acho que já estou pronto pra puxar um ronco. Amanhã, infelizmente, vou ter que acordar cedo. Aqui em Guarapari não tem nada que interesse a Bruno se tratando de comércio, então temos que sair um pouco mais cedo para chegar na próxima cidade umas 8h ou 9h no máximo. Pobre de mim!!!

09/02/09

Dormi na casa de Tia Lande porque íamos sair cedo e assim foi. Às 5h30 de hoje já estava de pé para o começo de uma viagem onde o dia de amanhã sempre era um mistério. Saímos de casa, Camacan, e aí o primeiro acidente. Um cachorro esperou todos os carros que tinha na nossa frente passar e achou de atravessar justamente na nossa vez. Pegou na traseira do cachorro, o choque quebrou um farolete do carro e sabe lá Deus o que aconteceu com o pobre cão!
A primeira parada não demorou muito, foi em uma fazenda onde o irmão de Bruno trabalha como caseiro. Passamos para vê-lo e aproveitamos para tomar café, pois tínhamos saído sem comer. Terminado o café voltamos pra estrada passando por Santa Luzia, São João do Paraíso, Itagimirim, Eunápolis e Itamaraju, onde entramos. Passamos por uma loja, por outra. Vender que é bom só em uma, mas vendeu legal.
De lá pegamos o caminho para Prado, litoral da Bahia. Já tinha ouvido falar muito desse lugar, mas não achei tudo aquilo que me disseram. Lá vendemos só um pouco de brincos e paramos para almoçar. Seguimos o caminho para Alcobaça, outro lugar que se falava muito ultimamente. As praias realmente são bonitas mas o centro é fraco, não vi muito movimento. Não vendemos nada. Sem perder tempo, pegamos estrada e saímos em Teixeira de Freitas. Não paramos mais em nenhuma outra cidade da Bahia passando direto por todas, assim, finalmente, entramos no estado do Espírito Santo.
Passamos por Pedro Canário e entramos para tentar um venda. Nada. Seguimos para São Mateus, uma cidade até bonita e divertida. Para seguir adiante no semáforo não basta o sinal estar verde, um tem que gritar “TÁ ABERTO” pra gente poder seguir. Bom, não temos culpa que a lâmpada verde estava queimada!
Também não vendemos lá, só comemos um acarajé horrível, o pior que comi até hoje. Também, fui querer procurar acarajé fora da Bahia, é isso que dá! De lá fomos para Linhares. Já era umas 17h pra 18h quando achamos um hotel para pousar. Nada de muito requinte, mas tem garagem e dá pra dormir. Tomamos banho e fomos atrás de algo pra comer. Comi uma tal de uma coxinha no ‘bar Pinheiros’, também foi a pior coxinha que já comi na minha vida. A miserenta até dor de dente me deu. Agora vou tirar um ronco porque amanhã tem mais cidades pela frente. O bom é que não vou ter que acordar 5h30 novamente, já que o comércio só abre a partir de 8h. Vamos dar uma volta aqui em Linhares e seguir caminho depois. Fui...!

O início de uma longa aventura!

Viagem NA CARONA com Bruno pelo litoral Sudeste (ES, RJ e SP). A viagem consistiu em vender a mercadoria que ele fabrica, ou seja, artesanato feito com côco. Eu fui de carona e, seguindo o maior e melhor estilo andarilho de ser, ajudei no que foi preciso (separando mercadoria, levando as encomendas pra lá e pra cá) em troca não só da viagem como também das refeições e pousadas! Foi uma viagem de 15 dias cravados, de 9 à 23 de fevereiro. Tudo registrado em textos e imagens!

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Viva a diversidade!

Não consigo entender como existe pessoas que não se interessam em conhecer outros lugares, ou mesmo outras pessoas. Que se limitam ao seu mundinho, seu espaço. Que não levantam a cabeça para olhar para frente, seguem a vida toda andando de cabeça baixa.

Tem tanto lugar bonito pra conhecer nesse mundo! Tanta gente interessante, tanta curiosidade, tanta novidade. Em cada lugar que você passa sempre tem algo diferente. Seja um alimento, uma fruta, um costume, um vocabulário.

A diversidade é fascinante!

Imagine se todo lugar no mundo fosse igual à sua cidade. Se todas as pessoas do mundo fossem iguais a você. Você acha que esse mundo seria interessante? Sinceramente?

Se eu fosse citar a quantidade de lugares interessantes passaria o resto dos meus anos aqui. Mas deixo uma dica. O Jornal Hoje, da rede Globo, está passando essa semana uma série sobre as cidades argentinas que fazer fronteira com o Brasil. Acesse esse site e assista o vídeo do Trem das Nuvens, e veja que paraíso, que maravilha de paisagem está bem aqui, do nosso lado, e a gente nem desonfiava!

http://g1.globo.com/jornalhoje/0,,MUL986580-16022,00-TREM+DAS+NUVENS+REFAZ+ANTIGO+CAMINHO+INCA.html