quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

11/02/09

Rapaz, Deus é bom de mais! Achei que ia madrugar mas acordei 8h! Bom, bom, bom, bom, não, mas tá bom! (rs!).
Saímos de Guarapari e fomos para Piúma, cobrar um cara que devia a Bruno. Eu vou tentar relatar o quadro, mas só vendo mesmo pra entender. Aquela casa, aquelas pessoas, pareciam personagens de filme ou desenho, sei lá. E não no sentido cômico, mas desgraçado mesmo.
Começa pela localização da casa. Em uma rua sem saída, a não ser que pule no rio que fica logo na esquina. Várias peixarias acentuando ainda mais o clima de litoral. A casa tinha mais dois pavimentos superiores, provavelmente estavam divididos também em mais alguns outros por lá. Em baixo tinha casa nos fundos e a da frente.
O pai, um velho gordo, pançudo, com a pele queimada de sol, as costas arqueadas pelo peso da barriga, o rosto todo enrugado, barba para fazer, na boca só tinha os dois dentes caninos inferiores que apontavam pra fora quando fechava a boca, os olhos pareciam duas bolas de gude porque eram pequenos e redondos. Coloque por cima mais uns meio quilo de catarata. É quase isso. O cabelo branco com a raiz queimada, grande e todo desgrenhado. E aí cicatrizes, unhas, bafo e etc.
Foi com ele que falamos primeiro. Perguntamos onde o Fulano estava (não vou colocar nomes aqui, não é) e ele disse que estava em Vitória. Desenrolou mais uma história e continuou falando. Fomos para o irmão que estava sentado na calçada um pouco mais ao lado, limpando uns ossos para fazer colares. Outra figura. Não bastasse o sotaque que, infelizmente, não dá para reproduzir aqui porque é o melhor, ele também tinha a pele surrada pelo sol, a perna toda ferrada, cheia de marcas e cicatrizes. Não sei o porque, mas ele perdeu parte da panturrilha. Algo parecido com uma mordida, ou um ferro que saiu cortando tudo, não sei. Ele também não sabia onde o irmão estava. Perguntou ao pai no seu sotaque engraçado, e deu idéia do que Bruno deveria fazer.
Enquanto isso, outros personagens da família ia aparecendo. Um menino manco de uma perna, outro que usava óculos fundo de garrafa com cordinha para segurar no pescoço, um outro menino com a coluna parecida com a do avô, um rapaz com cara de quem havia cheirado água-viva (rs!). E assim ia! De repente, um tufo de cabelo vindo do alto passa a dois centímetros de Bruno. Alguns minutos depois uma vassoura quase bate em minha cabeça. Passamos a ficar mais atentos com o que vem de cima, a partir daí!
Uma das netas estava saindo de casa e o irmão de Fulano perguntou à ela onde estava a esposa de Fulano, vamos chamá-la de Fulana. A menina disse que havia ido para a praia, junto com a avó. Depois de muita conversa, de repente quem aparece na janela de cima? A Fulana. Mas não resolveu muita coisa, disse que não se metia nos assuntos do marido e tudo mais.
A Fulana é uma estranha no ninho. Ao que parece, nem todo mundo da família a ver com bons olhos porque colocou toda a culpa em cima dela. A coitada está com reumatismo, anda mais devagar que uma tartaruga. Ela teve um problema no seio direito, foi no médico, marcou a cirurgia, e o cara tirou parte do outro seio que não tinha nada a ver com a história.
Ela desceu, conversou com um e com outro fingindo que não via Bruno, e seguiu para o posto tomar sua injeção diária. Bruno foi atrás dela e conversou por uns cinco minutos. Os dois voltaram para a casa e então a Fulana gritou: “Fulano! Oh, Fulano”. É, o Fulano também estava lá! Quanta mentira pra uma só manhã. A única verdade naquela história toda foi que a avó tinha ido pra praia. Não demorou muito ela chegou com as conchas que catou, cumprimentou a gente e entrou. Bruno conversou com o Fulano, acertou um acordo com ele e fomos embora. Ficamos de passar lá na volta. Que família estranha!

Praça da Igreja em Campos dos Goitacazes

Bom, tudo certo e nada resolvido, seguimos para Campos dos Goitacazes, também uma cidade bonita, mas pelo visto muito violenta e marginalizada. Vendemos uma quantidade legal lá. Até eu fiz uma venda!Saímos de Campos, entramos no estado do Rio de Janeiro com a intenção de chegar logo em Cabo Frio para dormir na casa de uns conhecidos de Bruno. Horas na estrada e nada de cidade, só buracos. Chegamos em Rio das Ostras e, mais uma surpresa: o pneu furou!

Isso já era de noite e estávamos longe do possível lugar onde dormiríamos. Tivemos que colocar novamente o pneu antigo, comemos um sanduíche monstruoso e fomos para Cabo Frio. Bruno, muito insistente, rodou não sei quantas horas procurando a casa dos amigos dele até resolver parar para dormimos em uma pousada. Já era 1h da manhã! Eu não quis saber de mais nada, só tomei banho e agora vou cair na cama. Já é!

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